Sofro minha enésima internação: tempo de ter tempo forçado. Sempre o procuro, mas onde encontrar quando se precisa de dinheiro para conseguir o direito de viver no seu ritmo. Joguei fora muito da existência acreditando numa salvação divina puramente, pondo fé em que o Arquiteto, em sua magistral engenharia, enxergaria que minha obra mereceria sua atenção.
No entanto, quem sou eu diante dEle? Se eu realmente colocar valor em intervenções superiores, precisarei crer em que havia a necessidade de que algo meu - por razão extrapolante ao meu olhar - fosse lançado ao fogo. Isso não traz conforto qualquer; pelo contrário, provoca tristeza e amarguras tais que nada ou quase nada durante esses sentimentos daria alento ao simples bater do coração ou faria sentido.
Ora, em que base numérica nasci para infortúnio igual? Sem a crença em um Ente maior, sou um vazio total de ideal e de vontade de seguir vivo. E isso porque, postulante de algo que tento ser com frequência, chego a pensar que não vale a pena corrigir uma obra que se inicia como um acaso vão e permeado de mentiras torpes e exploração inútil. Revolta é tudo o que me resta, temperada com a certeza de que destruir só teria a um: a mim mesmo - já que não valho nada.
No silencioso mal que se aninha no meu peito, busco recolher a Alma - se ela houver - qual lixo descartado após uma vida de merda. Todos são melhores, tudo é melhor; e eu, sendo merda, pareço esterco prestes a servir de alimento para a terra - que, por sua vez, nada tem a ver com isso tudo.

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