Sofro minha enésima internação: tempo de ter tempo forçado. Sempre o procuro, mas onde encontrar quando se precisa de dinheiro para conseguir o direito de viver no seu ritmo. Joguei fora muito da existência acreditando numa salvação divina puramente, pondo fé em que o Arquiteto, em sua magistral engenharia, enxergaria que minha obra mereceria sua atenção. No entanto, quem sou eu diante dEle? Se eu realmente colocar valor em intervenções superiores, precisarei crer em que havia a necessidade de que algo meu - por razão extrapolante ao meu olhar - fosse lançado ao fogo. Isso não traz conforto qualquer; pelo contrário, provoca tristeza e amarguras tais que nada ou quase nada durante esses sentimentos daria alento ao simples bater do coração ou faria sentido. Ora, em que base numérica nasci para infortúnio igual? Sem a crença em um Ente maior, sou um vazio total de ideal e de vontade de seguir vivo. E isso porque, postulante de algo que tento ser com frequência, chego a pensar que não vale...